Muito se fala sobre o perigo de deixar objetos pequenos ao alcance das crianças, que podem levá-los à boca e engoli-los. Mas, muitas vezes, a ameaça pode estar mais perto do que se imagina: na sua mesa. Um estudo da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, identificou os alimentos que mais provocaram engasgos em crianças de até 14 anos. Especialistas analisaram os dados obtidos a partir de 112 mil visitas ao pronto-socorrocausadas por engasgos não-letais, entre 2001 e 2009, e listaram os alimentos mais propícios a causarem esse tipo de incidente.
Alimento Número de visitas ao pronto-socorro Balas duras 16.100Outras balas 12.671Carnes13.324 Osso 12.496Frutas e vegetais 10.075 Fórmula, leite ou leite materno 9.985Sementes, castanhas ou ostras 6.771 Chips, pretzels ou pipoca4.826Biscoitos, cookies e bolachas 3.189Salsicha2.660 Pães ou :2.385 Batatas fritas87
As campeãs de engasgos são as balas duras e outras guloseimas, que, sozinhas, representam quase 25% das ocorrências. O resultado é compatível com a vivência do pediatra Eduardo Gubert, do Hospital Pequeno Príncipe (PR). Ele concorda que os doces realmente encabeçam a lista de acidentes e alerta que “a Academia Americana de Pediatria recomenda não oferecer balas nem nenhum tipo de alimento de mascar para menores de 5 anos”.
Embora a recomendação para evitar as balas também esteja relacionada ao alto teor de açúcar e à falta de nutrientes, elas realmente oferecem grandes riscos às crianças menores que são realmente as mais vulneráveis aos engasgos. De acordo com o Datasus, no Brasil, em 2014, foram registrados 108 casos de inalação ou ingestão de alimentos, sendo que 74% deles aconteceram com menores de 4 anos. Destes, metade aconteceu com crianças menores de 1 ano. Isso porque até os 4 anos as crianças ainda não têm o controle da mastigação 100% desenvolvido.
“A recomendação é não dar nada que ofereça risco de engasgo se for engolido direto. Alimentos muito lisos e arredondados, como uvas e tomate cereja, devem sempre ser cortados ao meio ou em mais partes”, alerta Gabriela Guida de Freitas, coordenadora da ONG Criança Segura. Para o pediatra, a dentição também faz toda a diferença no processo da mastigação. “Crianças de 1 a 2 anos não têm os pré-molares ainda e o fato de terem só gengiva na parte de trás da boca pode fazer com que os pedaços escorreguem direto”, explica. Por essa razão, alimentos muito duros, como castanhas, que se quebram em muitas partes ao serem mordidos, devem ser evitados, assim como aqueles que podem ser aspirados inteiros.
https://revistacrescer.globo.com/Criancas/Alimentacao/noticia/2016/03/engasgo-quais-sao-os-alimentos-mais-perigosos-para-criancas.html feijão, milho e amendoim.











