Em 206 hectares no município de Missal, na região Oeste do Paraná, 36
famílias Avá-guarani estão finalmente vivendo em uma terra que podem
chamar de sua. A área foi adquirida pela Itaipu Binacional como parte das
ações de reparação a populações indígenas afetadas pela construção da
hidrelétrica. A transferência das famílias, que ocupavam uma área na Faixa de
Proteção do Reservatório em Santa Helena (PR), para o local, ocorreu no final
do ano passado.
“Este é um momento histórico em que a Itaipu faz justiça em relação à dívida
que tem com os povos originários da região Oeste e a atual gestão tem um
compromisso de fazer a devida reparação”, destacou o diretor jurídico da
Binacional, Luiz Fernando Delazari. Segundo o gestor da Itaipu para as
iniciativas voltadas aos indígenas, Paulo Porto, os povos originários têm
direitos que devem ser respeitados. “O direito à terra é o primeiro. Na
sequência, vem o direito à alimentação de qualidade, à moradia, a benfeitorias,
ao fortalecimento cultural”, completou.
Para alinhar esses próximos passos, representantes da Itaipu reuniram-se com
a Prefeitura de Missal. O roteiro também incluiu uma visita à comunidade,
batizada Ara Poty Mirim, e à Escola Municipal Epitácio Pessoa (na linha
Jacutinga, área rural de Missal), localizada próxima à aldeia e que acolheu as
crianças indígenas em suas salas de aula.
O prefeito, Adilto Luis Ferrari, acompanhado da secretária de Assistência
Social, Rosani Fappi, informou que já colocou a assistência social do município
a serviço da comunidade. “É muito importante esta parceria com a Itaipu para o
atendimento às necessidades da comunidade. A gente espera que ela se torne
um exemplo para outros municípios”, disse.
O líder da Tekoha Ara Poty Mirim, Lino César Cunumi Pereira, está otimista
com o futuro dessas famílias indígenas, a partir das articulações que vêm
sendo realizadas com a Itaipu, a Prefeitura e a escola. A comunidade já
recebeu casas construídas pela Itaipu e agora está definindo as próximas
melhorias na infraestrutura, como rede de água, esgoto e luz. “Daqui pra frente
vai melhorar muito”, afirmou.
Na escola, as crianças indígenas e não indígenas convivem nas mesmas salas
de aula. Para o diretor Volmir Spanholi, a chegada dos novos alunos foi muito
tranquila. “A nossa comunidade aqui já tinha uma característica semelhante ao
povo indígena, de famílias da pequena agricultura e assentamentos. Então, o
povo indígena só veio a somar”, avaliou.
O professor de história Paulo Roberto Sbabo também vê como positiva a
integração com os indígenas. “Eu vejo que é uma valorização das culturas
tradicionais, do modo de vida deles, que têm muito a ensinar. Nos ajuda a
compreender a forma como a gente age no mundo, na natureza e em relação
ao outro”, completou.

FONTE: ASSESSORIA MISSAL










